Via África – Uma missão do céu

Há muitos anos nossa igreja faz parte da ONG Via África, que tem inúmeros projetos no continente africano. Mas sabemos que uma das principais coisas que tornam essa missão real, é a disposição do coração dos missionários. O quanto você escuta falar sobre isso? Sobre aqueles que deixam sua terra natal para anunciar Cristo, seja aonde for? Conversamos então com uma missionária da nossa igreja, para entender como tudo começou e os impactos que o Via África trouxe para sua vida.


Neusa Saraiva nos contou que tudo começou em sua conversão. Assim que entendeu o sacrifício de Cristo na cruz, despertou em seu coração a necessidade de falar do amor de Deus e de cuidar de pessoas, seja quem fosse. Atualmente, auxiliando na administração localmente dos projetos Via África, especificamente com as crianças, ela nos contou que foi muito bem acolhida por todos os moradores locais, recebida como uma mãe por muitos, o que faz com que ela se sinta em família.


Já quantos aos desafios, o principal é lidar com as realidades físicas e espirituais. Principalmente no quesito mitos e mentiras, pois a forma como enxergam o mundo espiritual é impregnado em sua cultura. Inclusive, muitos agem com manipulação, tentando negar o fato de que não há outro caminho senão Jesus Cristo para nos levar até Deus. Segundo ela, este é mais um dos motivos para enxergar nitidamente a beleza da intensidade do amor deles por Cristo, quando entendem tudo que Deus pode mudar em suas vidas.


Todavia, para exercer aquilo que Deus comissionou a ela, Neusa precisou ir embora de sua cidade natal, aonde tem filhos e netos. Quando perguntamos sobre sua família e como faz para lidar com a saudade, nos contou que por muitos momentos desejava estar presente fisicamente para dar apoio, abraços e consolo, mas sabia que Deus estava fazendo exatamente isso e que enquanto ela estava cuidando das coisas de Deus, ele estava cuidando de sua família. Finalizou ainda dizendo que em tudo que vai fazer, pede para que Deus esteja com ela, dando estratégias e sabedoria.


“Deus mudou a minha vida, a vida da minha família e eu fui chamada. Minha resposta foi sim, sempre será sim. Para qualquer lugar eu vá, desde que ele esteja comigo, eu não temerei mal algum. Assim como diz em Êxodo 33:15- Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Se ele não for comigo, então que ele não me faça sair de onde estou.” – Neusa Saraiva.

Relato de Viagem – Fernando Ribas

Décima quarta viagem para a África, e realmente não sabíamos o que encontraríamos lá, era um momento ímpar para a Via África, era um marco na vida de cada um que faz parte deste grande projeto, especialmente para o pastor Marcos, pois as dimensões eram incalculáveis. Ao chegar em Beira nos deparamos com uma situação incrivelmente constrangedora, fomos recebidos com grande festa, pessoas cantando e dançando incrivelmente felizes em nos receber, ficamos sem palavras e reação diante da atitude daquelas pessoas. Mais tarde descobrimos que a maioria das pessoas que ali dançavam estavam sem teto ou paredes em suas casas, a mesma cena se repetia onde era a igreja, lá, restou apenas o piso, todo o resto foi levado pelo vento, mas as pessoas louvavam a Deus como se nada tivesse acontecido, felizes por estarem vivos.

O cenário naquela cidade era pós apocalíptico, sem energia, água, casas e prédios destruídos, árvores arrancadas ou quebradas ao meio, postes de energia ao chão, ruas interditadas, tudo isso duas semanas após a passagem do ciclone, a cidade ficou alagada, o ciclone causou grandes danos materiais e inúmeras mortes, mas não conseguiu abalar a fé daqueles irmãos e serviu para fortaleceu ainda mais o amor e fé em solo africano.

Todos os olhos estavam voltados para Beira, a igreja uniu-se em um só proposito, ajudar as pessoas. Todos os lugares que passamos, Nampula, Quelimane e Maputo estavam orando pelos irmãos de Beira.

Ainda em solo africano um novo ciclone se aproximava do norte de Moçambique, ainda mais forte que o Idai, mas dessa vez a igreja se posicionou de uma maneira diferente, palavras do próprio pastor Maposse, o ciclone chegou a costa e parou, era a mão de Deus que operava livramento naquele momento.

Há muito a ser feito ainda, mas o que ficou claro nesta viagem, é que nada pode impedir o agir de Deus em favor do povo africano, independente do que venha a acontecer, as canções e danças louvando a Jesus não irão parar.